sexta-feira, junho 22, 2012





Para onde vou? Não faço ideia

Mas lembro por onde passei

O pouco que entendi da vida

Resulta no que me tornei



A estrada pode ser estreita

Esburacada, empoeirada ou perigosa

Mas para mim, é longa e prazerosa

No paradoxo da confusão perfeita



Se parto ou se fico

Faz parte do meu conflito

Se fui e não voltei

Faz parte do que ainda não sei



Depois daquela curva

Ajudada pela chuva

Bem pode estar a morte

Ou outro golpe de sorte



Passo o intenso caminho

Repasso meu medo sozinho

Reparo no que não termino

Perpetuo o que não inicio



Sei que a estrada termina

No caixão ou na oficina

Uma parada antes na cozinha

Vou “tocando em frente” minha sina



Se acelero, o coração tranquiliza

Se freio, no peito ele palpita

Neste universo estranho ainda habita

Um menino cheio de incerteza



Junto os fragmentos espalhados

Conserto-me por inteiro

Sem pneus sigo meus passos

Por dentro, um eterno caminhoneiro

sexta-feira, março 09, 2012

Kátia


Vez em quando você reclama
Que não sou mais o mesmo
Mas ainda mantenho aceso
O fogo da minha alma

Ainda que com tropeços
De quem saiu atrasado
Tenho andado atarefado
Para compensar meus erros

E tenho seguido o caminho
Que jamais faria sozinho
Pois não saberia o sentido
Ou o que está reservado

E lembro que estás comigo
Desde um tempo antigo
Onde eu contava centavos
Para pagar meu almoço

E tendo sido eu tão imperfeito
Tento agora me consertar
Tento arrumar um jeito
De você ainda me amar

Você me diz, escreva um livro
Algo sobre as curvas da estrada
Mas com prefácio e epílogo
Só constaram três páginas

No meio, entre algumas palavras
Amor, anseio e esperança
De sonhos de uma criança
Tem um nome escrito Kátia

Você ainda é tão linda
Como da primeira vez que a vi
Pode ser que você esqueça
Mas eu jamais esqueci

Que antes de te conhecer
Eu me achava liberto
Mas não sabia ao certo
O que queria ser

Não pensava no possuir
Não me preocupava em ter
E agora só sei seguir
A inconsciência de te querer

Então te peço pequena
Por favor, fique comigo
Eu até te faço um poema
Ainda que seja ridículo

Queria escrever uma poesia
Que te fizesse chorar de alegria
Sei que sou um tolo abobado
Mas só te peço que fique ao meu lado

sexta-feira, outubro 15, 2010

De Frente Para as Estrelas

Estava lendo uma entrevista do Almir Sater (acho que não preciso dizer que sou fã, olha o nome do Blog), no final da entrevista ele é perguntado se Mato Grosso (no caso Mato Grosso do Sul), estava de costas para o Atlântico e de frente para o Pacífico, uma referência à nossa cultura muito influenciada pelos países andinos. Ao que o Almir respondeu "no Mato Grosso do Sul estamos de frente para as estrelas" (e eu acrescento o Mato Grosso também, por minha conta pois já morei nos dois estados e sinto que há bem poucas diferenças culturais).
Então acho que é mais ou menos isto, acho que estamos mesmo mais voltados para o universo, para o criador, do quê para o nosso litoral. E isso é uma questão histórica. Mato Grosso foi esquecido pelo Brasil há muito tempo, sempre estiveram de cosas para nós, não por qualquer ato intensional, é uma questão física mesmo. Até 30 anos atrás chegar ao Mato Grosso era uma coisa para pessoas aventureiras e com muita coragem. Desbravar o pantanal, a floresta não era para qualquer um... hoje não, é só pegar um avião e vc pousa em Campo Grande ou Cuiabá. E temos que lembrar também de Rondônia, do Acre que foram tão esquecidos quanto nós. Sei bem que existe um certo bairrismo entre matogrossenses e sulmatogrossenses, mas acho isto uma enorme bobagem, assim como é bobagem ter o mesmo comportamento quanto a pessoas de outros estados, cada um ama a sua terra, e aquele que não ama não merece consideração.
Claro que fomos divididos, mas nem por isso somos tão diferentes. Sempre que estou em outro estado é comum perguntarem... de onde vc é? Ao que respondo... Mato Grosso... aí la vem a pergunta... do sul ou do norte? Então não é apenas preconceito, também é falta de conhecimento geográfico (afinal não existe mato grosso do norte). Mas tudo bem, acho também que isso é bobagem, se alguém pergunta a capital da Bahia todo mundo sabe, paulista, mineiro, carioca... mas a capital do Mato Grosso ou do Mato Grosso do sul se vc pergunta por aí o povo gagueja, normalmente troca uma pela outra... então sabe o que acho... que deveríamos nos considerar um povo só... esquecer as fronteiras que inventaram. Sou feliz na minha terra, é só o que sei... já rodei o Brasil todo e só sou feliz aqui, que me desculpem as pessoas dos lugares onde passei, lugares belíssimos diga-se de passagem... mas esta é a terra que amo. Não por achar que aqui é melhor que ali... é questão de gosto.
E o meu gosto é ouvir viola, tomar mate, fumar paieiro, andar de cavalo, pescar, tomar banho de cachoeira e olhar as estrelas. Porque se existe um lugar que pode ser melhor para mim que aqui... só se for lá, do lado do Criador.

sábado, fevereiro 20, 2010

30 anos sem o Bon

Ontem, dia 19/02/2010, completaram 30 anos da morte de Bon Scott. Na época eu tinha 2 anos e não ouvia nem canção de ninar.
Então por quê estaria eu triste?
Simples, Bon era um cara simples, tinha música no sangue, fez muita besteira mas tentou se redimir, trabalhava de motorista para o AC/DC quando passou à condição de vocalista. Foi, na minha opinião, o melhor vocalista de Rock.
O principal nele... não era um tipo de estrela babaca como vemos hoje em dia, ao final do show o que ele queria era beber umas doses com os fans que ele considerava como amigos, trocava idéias, batia um bom papo... em síntese, um sujeito tranquilo.
Entre minha músicas favoritas está Jailbreak com o AC/DC na voz do Bon.
Tudo em nome da liberdade.

sexta-feira, julho 10, 2009

De um Morto Vivo

Eu era jovem, mas ja estava morto.
Não por uma doença qualquer
Ou outro motivo tolo
Meu coração apenas parou de bater

Havia anos eu estava sozinho,
Longe do caminho que desejava
Há anos beirando o abismo
De um lado o sonho... do outro o nada

E o nada tragou meus sonhos
E engasgou minha palavra
Não deixou letra para um testamento
Não deixou conforto para uma alma

O idioma que pedia alento
Não podia ser entendido
Ainda que o tentasse por escrito
Instantaneamente era apagado

Entao meu coração parou de bater
E cansou de pulsar o ritmo do desejo
E fez questão de esquecer
A felicidade levada pelo tempo

A alma, se existe alguma
Congela-se no vazio do silencio
E qualquer grito se abafa
Na agonia, no tormento

As mãos tentam agarrar o vazio
Não encontram um apoio ou abrigo
Apenas a lama e o frio
Me esperam no fundo do abismo

Somente só, onde sempre estive
Dentro de uma masmorra da carne
O corpo ainda se move
Mas a chama já não arde

E um corpo que se move sem chama
Nada mais é que uma maquina
Não ri, não chora e não ama
Apenas executa sua rotina

quinta-feira, julho 17, 2008

Um dia

Um dia, quem sabe um dia, veremos neste país a "Queda da Bastilha"
E o povo vai sair às ruas e degolar seus reis em praça pública
E retirará do ostracismo os heróis que morreram (embora alguns ainda respirem) defendendo as cores da verdade e da alegria.
Um dia não vai ter carnaval, nem futebol, nem pão distribuído na praça
E todos estarão em casa com suas famílias fartas de comida e felicidade
E todos os porcos imorais estarão apodrecendo empalados à porta de seus palácios e às margens de seus planaltos.
E até mesmo aqueles que disseram calem-se estarão com suas línguas cortadas por impedir que se pedisse "justiça".
E a própria palavra justiça perderá o sentido por não haver mais sobre este solo sua antônima.
Um dia todos os banqueiros pedirão esmola
todos os famitos terão comida
toda dor será esquecida
todo injustiçado terá "ido à forra"
Ou isso, ou a extinsão completa e uma terra limpa, verde e harmoniosa
Um dia, talvez um dia alguém limpe essa quinqulharia
Um dia, talvez um dia alguém leia essa porcaria.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Metades

Tudo é composto de partes
Algumas mais visíveis que outras
A matéria é composta de moléculas
Por sua vez são átomos, quarks
E não sei nem mais o quê mais...

E nessa história de tentar dividir tudo
Até saber o que há lá no fundo
Há a verdade maior do mundo
Que olhamos para dentro
Para tentar enxergar o futuro

Mas há quem diga
Que só existem metades
O lado bom e o lado mal
O ético e o imoral
Sem pormenorizar os detalhes

No final... é tudo igual
Pois não sei em quantos fragmentos
Multiplicar-se-ão os meus tormentos
Neste sofrimento infernal
Nesta minha solidão entre elementos

E das metades deste ser profano
Ao menos, as porções que conheço
Não se distinguem aparentemente
Mais no fim ou no começo
Mas odeiam-se mutuamente

Sou a luta feroz entre dois estranhos
Unidos num mesmo corpo efêmero
E minha existência é ainda menos
Que um único segundo entre os astros
Um moribundo a espera do enterro

Minhas metades, se assim posso dizer
Não são como o rei e o mendigo
Não são como o doce e o salgado
E assim sigo sendo, (ou tendo)
O “querer” e o “não poder”

quarta-feira, agosto 15, 2007

Sem medo do ridículo.

Poeminha Com Defeito

Eu queria ser perfeito
Não queria ter tal aspeito
Também meu pais teriam feito
Se possível, um filho, sem defeito

Ao menos eu não quero ser prefeito
Pois mesmo que eu fosse eleito
Não haveria proveito
Em ter um anarquista no pleito

Ainda carrego no peito
Aquele sonho desfeito
E ando no caminho estreito
Das pessoas que não têm jeito

Que amam com tal efeito
Achando que têm direito
De receber algum respeito
De ver seu amor sendo aceito

E quando chorar já não surte efeito
De tudo tento tirar proveito
Pois já adquiri o conceito
De que o mundo todo é imperfeito

terça-feira, maio 15, 2007

Ser um ser Ridículo

Entra e vem correndo para mim
Meu princípio já chegou ao fim
E o que me resta agora é o seu amor
Traga a sua bola de cristal
E aquele incenso do Nepal
Que você transou num camelô

E me empresta o seu colar
Que um dia eu fui buscar
Na tumba de um sábio faraó
E me empresta o seu colar
Que um dia eu fui buscar
Na tumba de um sábio faraó

Veja quantos livros na estante
Don Quixote, o cavaleiro andante
Luta a vida inteira contra o rei
Joga as cartas, lê a minha sorte
Tanto faz a vida como a morte
O pior de tudo eu já passei

Do passado eu me esqueci
No presente eu me perdiS
e chamarem, diga que eu saí
Do passado eu me esqueci
No presente eu me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
Se chamarem, diga que eu saí

Raul Seixas

Depois de nascer... "mamar"
Depois sentar, falar, erguer-se, engatinhar, andar, correr, saltar... tentar voar.
Subir, escalar, agarrar-se em qualquer coisa por mais frágil que pareça.
Uma teia de aranha pode ser a diferença entre o viver e o partir...
E após a subida só resta a descida... ou a queda talvez...
E após a queda, o que resta senão sentar, falar (que dor danada...), erguer-se, engatinhar...
Quem dá um pão a quem tem fome e toma é cruel... mas quem dá o sonho e a seguir a desilusão costumamos chamar de "amor"...
Meus pensamentos andam mais confusos que minha sensação de realidade.

domingo, abril 01, 2007

Saudade de Mato Grosso

Se tudo correr bem... semana que vem... eu vou para Mato Grosso.
Muita gente quer ir para a praia, eu moro a poucas quadras dela e quer saber... há muito tempo não passo nem perto... só quando o avião resolve fazer a volta pelo mar.
Não é que eu não ache bonito, claro que é muito lindo... aquela imensidão de água que aos meus olhos é bem verdinha... (com muitos erres... leia-se "verrrdinha" quase que engolindo a língua...)
Mas aqui tudo é grande, tem tanta gente e eu sou só uma formiguinha no meio da multidão...
Tô com saudade da minha terra, o lugar onde eu cresci e aprendi a amar.
Tô com saudade de andar de cavalo, tomar banho de cacheira, pescar na lagoa, jogar truco e tomar tereré vendo o por do sol quando ele se afunda lá nas águas do pantanal.
Mas também to com saudade da cidade grande de lá... porquê a cidade grande de lá é muito diferente da cidade grande daqui... lá a cidade é grande mas as pessoas são maiores que a cidade... talvez por isso elas não reparem tanto nas diferenças, elas se sobrepõem a cidade, são maiores, olham por sobre os prédios e não sob eles...
Só é maior que as pessoas a terra... ah meu Deus, que terra...
Tudo é gigante para mim e ao mesmo tempo eu me sinto tão tranquilo naquela imensidão, no meio das pastagens sem fim, das boiadas, das lavouras de soja, de algodão... as vezes eu gostava de me embrenhar em algum lugar bem distante... daqueles que vc pode gritar bem alto que não tem ninguém por perto para ouvir e mesmo quando eu ia sozinho eu não sentia solidão, acho que Deus tava mais perto de mim... ou eu mais perto dele.
Eu lembro de tudo, dos amigos da cidade e nossas fogueiras regadas a pouco dinheiro, mas muita alegria.
Eu lembro que tinha amigos...
E hoje eu paro e olho o passado... eu era tão rico e não sabia.
Parece que é castigo... tanta gente que mora lá vive reclamando que quer se mudar, e eu... pobre de mim... eu que tanto amo aquele lugar... nunca consegui voltar.
E se Deus quiser eu vou pisar lá denovo, e diferente da tal rainha portuguesa que não queria levar nem o pó do Brasil... um dia eu vou voltar lá, nem que seja quando for para fazer parte daquele pó, daquela poeira vermelha do meu sertão.


Sonhos Guaranis
Mato Grosso encerra
Em sua própria terra
Sonhos guaranis
Por campos e serras
A história enterra
uma só raiz
Que aflora nas emoções
E o tempo faz cicatriz
Em mil canções
Lembrando o que não se diz
Mato Grosso espera
Esquecer quisera
O som dos fuzis
Se não fosse a guerra
quem sabe hoje era
Um outro país
Amante das tradições
De que me fiz aprendiz
Por mil paixões
Sabendo morrer feliz
Cego é o coração que trai
Aquela voz primeira
Que de dentro sai
E às vezes me deixa assim
Ao revelar que eu vim
Da fronteira
Onde o Brasil
Foi Paraguai
Almir Sater

sexta-feira, março 16, 2007

Miserável

Um homem não é miserável por não ter:
um teto
uma cama
um cobertor
uma televisão
ou por não ter um tostão...

Um homem é miserável por não ter:
Um ombro que o ampare
Um ouvido que lhe ouça
Um abraço que aqueça
Uma boca que lhe beije
Um coração que o ame...

Todo amor implora o que não lhe pertence
Só é nosso o amor que devotamos
O alheio são flores aos ventos
Num dia nasce, noutro perece.

sexta-feira, março 02, 2007

Subindo ou Descendo


O que somos?

De onde viemos?

Para onde iremos?

Chegaremos?

domingo, dezembro 10, 2006

Não Escrevo

Nem tudo que penso escrevo
Se acaso o fizesse
Muito provavelmente
Já estaria preso

Ou torturado, queimado, extraditado
Lobotomizado ou morto
No mínimo taxado de louco
Melhor é ficar calado

E no ostracismo do meu cérebro
Repousa o nobre “evolucionário”
Por não confiar no humano
Jamais terei um livro editado

Nas paranóias dessa cabeça
Mais inquieta que um cigano
Sou eterno soberano
De uma sociedade perfeita

Deixo aos mortais sua crença
Que um dia será descoberto
Algum novo remédio
Para curar nossa tristeza

Não sei se será a ciência
Um sociólogo ou um clérigo
A origem não me importa
Só quero estar por perto

Mas enquanto isso não acontece
Chame o garçom, encha o caneco
Vou dizendo minha sandice
Na mesa de qualquer boteco

quarta-feira, junho 28, 2006

E agora?

Nunca fiz e nem farei aquilo que sonhei, ainda que em curtos momentos eu pensasse que seria possível...
Nunca tive e nunca terei aquilo tudo o que queria, mas em breve terei uma das coisas que mais quis na vida, ainda que ela nunca sinta por mim um mínimo de carinho...
Nunca vivi exceto pelos outros, ao menos isso sempre valeu a pena e agora vale mais do que nunca.
Pelo egoísmo somos capazes de morrer mas incapazes de aceitar que nos inflinjam sofrimento, mas o amor por outrem nos faz ir mais longe... nos faz viver em sofrimento ainda que estejamos mortos na alma, só para ter a esperança de que um dia esta outra criatura tenha e faça tudo que não pudemos, ainda que ele (ou ela), nunca se dê conta disso.

domingo, junho 25, 2006

É muita desinformação

Brasileiro é desinformado por natureza eu sei disso, no geral não lemos nem mesmo as placas de trânsito, isso é cultural, desde cedo acostumamos a assistir TV, alguns cresceram com vila césamo, novela da Janete Clair, trapalhões e Jornal Nacional. Outros com Xuxa, Faustão, Gugu e novela mexicana, outros estão crescendo com malhação e rebeldes ... mas de uma forma ou de outra todos fomos presos num calabouço de ignorância, se ficamos amarrados em pé ou de ponta cabeça não há tanta vantagem entre uma opção ou outra, a equação final nos tornou um bando de amebas inertes ainda que alguns tenham chegado ao nível “superior” de “educação”.
Ótimo, encontramos o maior vilão de nossa cultura, ao menos a meu ver... enquanto passamos horas na frente da TV recebendo as poucas informações que num momento estão mal digeridas e vomitadas ou pior ainda são fruto da mais leviana manipulação e em outro trata-se de mera distração, como o mágico que nos faz ver a bela assistente enquanto esconde o coelho na cartola (atualmente trocaram o coelho pela onça e a cartola pela maleta ou cueca), o bom e velho panis et circens... enquanto tudo isso acontece o planeta gira e nada muda, nem a programação... tudo se tornou uma grande novela e somos espectadores aguardando os próximos capítulos... o mocinho há de aparecer e salvar a história por que sempre acaba com final feliz.
Mas no caso de nossas vidas a história nunca acaba... mesmo que venhamos a morrer as coisas continuam, e essa postura expectante herdada do sebastianismo português não nos torna apenas um povo pacífico, nos torna um povo palhaço, ingênuo, infantil e também submisso além de tantos outros adjetivos que poderiam ser citados...
... Não, não é apenas isso, até mesmo o grande Mestre Nazareno dizia que a semente só cresce em solo fértil e as sementes de ignorância encontraram um solo muito fértil em nosso povo, temos a tendência à bondade sim, somos uma nação com muita qualidade moral eu diria... Nosso povo é geralmente caridoso, humano, companheiro, gentil, hospitaleiro e isso são grandes qualidades que seres sem escrúpulos aproveitam para nos impor sofrimento... seriamos a maior nação desse mundo se não fossemos excessivamente ingênuos... então eu diria que a geração televisiva é apenas uma evolução da geração analfabeta e miserável. Evoluímos sim, de ingênuos analfabetos para ingênuos diplomados, na mesma proporção em que se trocou a escravidão das algemas pela escravidão da miséria... o sofrimento persiste apesar de trocar de nome... República, império ou anarquia são meras máscaras de algo bem mais complexo que seria talvez o poder dos egoístas, tão complexo que eu não seria capaz de explicar, o que não me envergonha sobremaneira pois certamente um sociólogo ou qualquer cientista político também não poderia.
Eu cresci assim, eu sou mesmo assim e não sou a Gabriela... ocorre que hoje estou presenciando uma nova evolução... a revolução dos Bits tão proclamada e da inclusão digital reluz como o anjo salvador da ignorância patética e torna-se a maior inverdade do momento e parafraseando o grande George Orwell, nosso livre pensar nos dá a falsa idéia de liberdade e independência enquanto no fundo o sistema é resistente e gera defesas...
A internet está aí ao alcance de quase todos, e dentro dela uma enorme biblioteca de informação, mas quem assina embaixo de todos esses fatos? Poucos eu garanto... da mesma forma que eu cresci vendo as inverdades na televisão e muitos dizendo “é isso, eu vi na TV” hoje a frase seria... “eu li na internet”, e com a mesma preguiça de raciocinar sobre o fato, de procurar a verdade mais a fundo acabamos (e claro que me incluo nisso) por aceitar certas besteiras como se fossem verdade. É o paradoxo da inconsciência consciente... a liberdade de pensar nos trás também a liberdade de não pensar... a liberdade de escolher nos trás a liberdade de não escolher, a liberdade de expressão nos trás a liberdade de não expressar nada ou ao menos não expressar nada que valha a pena. E fazemos isso conscientes, por quê? Leia 1984 e entenderá, optamos pela mentira agradável, ela é mais leve do que a menor das verdades... a verdade de que somos um povo pobre, humilhado, explorado e agredido por nossa própria culpa... sim... a culpa é sua sim... o mundo é injusto, os cretinos estão no poder, são ricos, limpos e bem vestidos e você (e eu é claro), somos pobres, sujos, famintos e não temos autoridade nem mesmo sobre nosso próprio nariz... e de quem é a culpa?
É minha... totalmente minha... mas eu estou feliz... por quê?... porque é sua culpa também...
Mas onde eu quero chegar?
A muitos lugares eu te garanto... eu gostaria de escrever um livro sobre cada parágrafo acima e apesar de não ser nenhum Dostoievski certamente seria possível... mas a princípio quero revelar a minha verdade... a verdade que me torna um retardado tão ingênuo quanto todos os outros...
Eu também li na internet que o voto nulo pode cancelar uma eleição... que se mais de 50% dos votos forem nulos a eleição precisa ser anulada e realizada novamente...
E isso é mentira?
Não... não é uma mentira... é uma verdade... mas como todas, uma verdade contada em partes.
Toda a verdade seria extenso de explicar e reservo-me aqui a minha liberdade de preguiça, então se você estiver interessado na verdade vá você mesmo atrás dela... lembra do filme Matrix? você pode escolher continuar no seu mundinho falso, ou então ir atrás da sua pílula de sapiência pq eu tenho tentado tomar a minha com regularidade.
Mas em resumo... o “voto nulo” não existe, nem aparece na urna eletrônica, o voto branco é um voto de abstenção sim, mas o voto nulo não anula a eleição mesmo que 99,99% dos eleitores anularem o voto... Formalmente o voto nulo significa que você não teve capacidade de votar, você “errou” (como se o maior erro não fosse votar nessa corja de canalhas que aí estão), e como foi você que errou a eleição e aquele bando de ladrões não têm nada a ver com isso... o que anula a eleição é a anulação de mais de 50% dos votos, ou seja, são os crimes eleitorais (em resumo) e é um juiz eleitoral que vai julgar isso dentro das leis que regulamentam a eleição, você não é capaz de tornar seu voto “nulo” no sentido de “quero que a eleição seja anulada por falta de um candidato que sirva para algo mais que usar terno e beijar criancinhas”
Eu explico: 100 pessoas votaram, 99 anularam o voto ou votaram branco e 1 (isso mesmo) apenas uma pessoa votou num salafrário (independente de ser o próprio salafrário pq ele tem o direito de votar em si mesmo, fato estranho eu diria), este ser decrépito estará eleito porque tem 100% dos votos válidos...
Aí você me diz... mas eu li na internet que na cidade tal, no estado tal a eleição teve que ser repetida porquê mais de 50% dos votos foram anulados... a resposta é... VERDADE... mas novamente uma verdade pela metade... provavelmente quem anulou a eleição foi um JUIZ que considerou que mais de 50% dos votos (independente de terem sido brancos, nulos ou para esse ou aquele candidato) são nulos por que alguma coisa feriu as leis que regem a eleição... quer um exemplo... ele pode ter considerado esses votos como nulos porque as urnas foram fechadas antes do término do prazo... ou porque as urnas apresentaram defeito... etc, etc, etc... independente da quantidade de votos “nulos” computados.
E isso ocorre devido a uma lei bastante questionável (mas não cabe aqui falar sobre ela) que torna o voto obrigatório, por isso deixa-se a possibilidade de abstenção ou erro (voto nulo), para liberar aqueles que não escolheram votar ou “não têm capacidade para votar” (voto nulo)...
Eu anulei meu voto durante anos... durante anos aquela escória política riu de mim pelas costas porque eu era “incapaz de votar”...
Mas tudo bem, não quero, ao menos agora, dissertar sobre esse assunto, minha maior indignação não é com isso, não com o fato de eu não possuir nenhuma arma contra esses vilões da cidadania... minha maior frustração é de ter sido tão ingênuo ao ponto de não ter levado em consideração que esses ilusionistas podem ser qualquer coisa, menos burros... eles jamais deixariam uma arma tão forte contra eles mesmos... quem você acha que faz as leis? Quem tem o poder para isso? E você acha que dotados desse poder eles deixariam uma lei que seria capaz de literalmente tomar de suas mãos esse poder? Ninguém seria tão bondoso e muito menos a classe política brasileira.
E o que é pior, eles se aproveitam de vários fatos... além da ingenuidade histórica que mencionei está a maneira prolixa como nossas leis são construídas, certamente temos uma das maiores constituições do planeta, cheia de emendas, nossos códigos (civil, penal, consumidor, etc...) são tão extensos que agradeço a Deus por nunca ter pensado em fazer direito, seria certamente enlouquecedor, tão confusa quanto o labirinto do Minotauro sem um fio que nos guie.
E o quê fazer? Bem, a princípio parece que estamos de mãos atadas, eu continuarei a votar nulo sim, primeiro pq ainda acredito que o voto é um sufrágio que dá a seres tão imperfeitos quanto eu os rumos da minha vida que muitas vezes nem mesmo eu sei dar, não acho que o altruísmo esteja compondo a insignificante esfera de qualidades que carrega os indivíduos que almejam o poder. Eu prefiro ouvir um ditado árabe que diz “os homens verdadeiramente bons não querem o poder”. Mas certamente dirão que eu não fui capaz de votar... Confesso, não sou capaz de votar em ninguém, mais acertado seria amarrar uma corda no pescoço ou colocar uma cascavel no bolso, ao menos eu sei o que acontece e não sou pego de surpresa, mas para aqueles que não pensam assim é preciso dar o direito de escolher, talvez muitos dos que votam ou votariam nulo mudariam de opinião e ao menos tentariam escolher os “menos piores”, não é meu caso, mas pode ser o seu... se você ia votar nulo por protesto mas prefere escolher um candidato “menos pior” saiba que ao menos você está desagradando o “mais pior”... isso não resolve as coisas mas eu não o critico por isso... critico sim a leviandade daqueles que não te fornecem a verdade que pode te fazer mudar de opinião...
Eu gostaria de dizer o quanto eu anseio por um mundo com mais clareza e com mais poder nas mãos dos cidadãos, muito além das minhas próprias utopias anarquistas seria bom que os cidadãos tivessem alguma arma capaz de tornar esses escroques inelegíveis, por que o que ocorre é que nunca há uma outra opção, ou você escolhe a guilhotina ou a forca, os leões ou os crocodilos, o diabo ou o cão, em qualquer opção você estará acabado... e não adianta gritar, chorar, pedir o menu, chamar o gerente... tudo foi armado para ficar assim, não tente soprar o nevoeiro.

Se quiser mais informações tente “ler na internet”, mas leia com senso crítico.
E novamente pedindo permissão aos seres divinos quero citar as palavras daquele homem que nasceu na miséria mas tinha a mais alta nobreza em sua alma:
“Conheça a verdade e ela vos libertará”.
alguns links:

segunda-feira, junho 19, 2006

Ao meu filho ou filha

Sei que tu és ainda tão pequeno que nada entende do mundo e encontra-se sabiamente protegido no ventre de sua linda mãezinha, mas enquanto os momentos passam rapidamente para ti aí dentro e a natureza acelera os ponteiros do relógio para te deixar pronto o mais rápido possível, como um pãozinho para matar a fome de beijos de seus pais eu vivo aqui a triste renúncia de não estar perto de ti.

Enquanto seu corpinho toma forma dentro do útero da mulher que amo, parte humana pois é carne e é sangue e parte divina pois lá dentro se entrelaça a matéria pesada de nosso orbe com a alma vinda das mãos de Deus eu sofro cada segundo de uma saudade sem limites e o medo de não chegar a tê-lo em meus braços.

Sei que para você as coisas estão acontecendo rápido, mas aqui fora eu não resisto à ansiedade de te pegar no meu colo e te encher de beijos.

Não compreendo e nem tento, esse tal instinto que me leva ao amor infinito por ti, criatura que ainda não conheci pessoalmente mas tornou-se algo indivisível em meu ser assim como sua mãe.

Enquanto você ganha gramas de massa eu ganho toneladas de alegria, enquanto você cresce milímetros de comprimento eu ganho quilômetros amor, enquanto você movimenta seu corpinho, meu coração bate mais forte.

E infelizmente cá estou, longe de sua mãe e de você... nem ao menos posso beijar o ventre que te abriga, mas em minha mente e em meu coração os dois estão tão presentes que não existe mais eu sem que existam vocês.

Beijos.

sábado, março 11, 2006

Alpinista

Alguém já assistiu Limite Vertical... pois é, odiei aquele filme.
Mas uma cena nele me agradou... aliás, duas...
A primeira é quando o pai dos alpinistas manda cortar a corda acima dele para salvar os filhos, isso sim é uma atitude invejável.
Mas claro que isso se justifica pois era o pai deles, qual pai não faria isso?
Mas no final do filme acontece uma cena parecida onde os alpinistas estão novamente presos por uma única corda e o que está abaixo corta a mesma e cai para salvar os outros... Acho que as únicas cenas realmente boas do filme são essas.
E o que tenho eu a ver com isso? O máximo que fiz na vida foi descer alguns lugares de rapel que, convenhamos, não exige lá tanto esforço ou preparo... até um sujeito franzino como eu consegue...
Eu não quero falar sobre esportes radicais ( a menos que baralho seja um esporte radical)... quero apenas associar idéias.
Se quando um alpinista está colocando a vida dos outros em risco ele toma uma atitude de auto-sacrifício para salvar os colegas, porque na vida não fazemos o mesmo.
Será que nosso egoísmo é tamanho que não somos capazes de cortar a corda que nos prende aos outros e deixá-los seguir seu caminho sem um peso extra?
Pois bem, sinto-me uma âncora em alto mar amarrada ao pescoço daqueles que amo, acho que o melhor a fazer seria afundar sozinho. Deixar que as pessoas sigam suas vidas, seus amores verdadeiros... seria mais até que altruísmo, seria honra, pois ao menos eu deixaria de ser usado. Ou ao menos deixaria de ser tratado com piedade.
Daí vem o outro lado da história... será que somos mesmo peso morto ou somos carregados por algum outro motivo? Alguns eu sei que nunca se viram desta forma, certamente nem todas as criaturas passam pelos mesmos problemas.
Estou farto de ser usado, carregado como um saco de batatas pois alguém acha bonito dizer que me carrega, não por caridade, apenas para melhorar sua imagem com o mundo.
Pior ainda é ser feito de fantoche para satisfazer a necessidade de atenção.
Cansei do teatro, de andar de mãos dadas com aqueles que só querem que outros percebam que não estão sozinhos. Não aguento mais ser tratado como carga... Quem me dera tivesse também uma faca para cortar essa corda que me prende à mediocridade de ser uma criatura sem utilidade real para o mundo.
Se ao menos o que tenho feito estivesse surtindo efeito, mas nem isso eu sei... nem mesmo sei se alguém se importa com isso... talvez eu seja tão insignificante que não assusto, não causo medo nenhum.
Um dia a corda se rompe... assim espero.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Deus, eu quero acertar mas não consigo

É triste... eu diria tétrico.
Tento acertar...
Às vezes, quando tudo parece impossível resolver tento dar um passo atrás e esperar que as coisas melhorem... mas tudo piora.
Deus, o que fazer?
Só um milagre é capaz de alinhar as coisas quando o universo parece conspirar para a destruição.
Eu preciso de um milagre.

domingo, fevereiro 05, 2006

Eu odeio migalhas

Eu odeio esmola, odeio migalhas, odeio receber o que deveria ser dos outros.
Poupem minha paciência.
Não me ofereçam o que não me pertence.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Ninguém é insubstituível?

Essa é uma frase que escuto com frequênca, mas discordo plenamente.
Sei que sou perfeitamente substituível, mas o contrário não é verdadeiro. Algumas pessoas não têm preço para mim, são insubstituíveis. Se eu perder uma delas minha vida não será mais a mesma e eu serei como um céu sem estrelas, como um oceano sem água, algo quase inconcebível.
Às pessoas insubstituíveis da minha vida eu peço minhas sinceras desculpas por minhas incontáveis falhas e reforço aqui o meu amor incondicional.
Meu pai e minha mãe; minha querida Kátia tão bela e doce, minhas irmãs tão diferentes e tão parecidas, meus sobrinhos tão lindos e inteligentes, meus amigos tão companheiros e pacientes.
Eu queria ser a criatura mais perfeita e poderosa deste mundo para tê-los sempre por perto e protegidos. Infelizmente, por minha própria culpa tenho que estar longe e com certa regularidade deixo muito a desejar. Cometo muitos erros e sei que alguns são praticamente imperdoáveis... mas se é meu castigo viver longe de vocês saibam que eu morreria por vocês.
Toda a felicidade do mundo ainda é pouco para lhes desejar.
Desse idiota imperfeito que tanto se envergonha das tolices que faz, minha declaração mais simples possível... tenho pouca coisa boa, mas o que tenho de bom vem do amor que sinto por todos.
Que Deus os proteja.

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Quem sou eu

"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria". Charles Chaplin Eu sou um ser comum. Muitas vezes bobo, muitas vezes ridículo, muitas vezes chato, algumas vezes legal, inúmeras vezes amigo e companheiro, invariavelmente sonhador, invariavelmente sofredor... mas graças a Deus em todas as vezes sou eu mesmo.