sexta-feira, julho 10, 2009

De um Morto Vivo

Eu era jovem, mas ja estava morto.
Não por uma doença qualquer
Ou outro motivo tolo
Meu coração apenas parou de bater

Havia anos eu estava sozinho,
Longe do caminho que desejava
Há anos beirando o abismo
De um lado o sonho... do outro o nada

E o nada tragou meus sonhos
E engasgou minha palavra
Não deixou letra para um testamento
Não deixou conforto para uma alma

O idioma que pedia alento
Não podia ser entendido
Ainda que o tentasse por escrito
Instantaneamente era apagado

Entao meu coração parou de bater
E cansou de pulsar o ritmo do desejo
E fez questão de esquecer
A felicidade levada pelo tempo

A alma, se existe alguma
Congela-se no vazio do silencio
E qualquer grito se abafa
Na agonia, no tormento

As mãos tentam agarrar o vazio
Não encontram um apoio ou abrigo
Apenas a lama e o frio
Me esperam no fundo do abismo

Somente só, onde sempre estive
Dentro de uma masmorra da carne
O corpo ainda se move
Mas a chama já não arde

E um corpo que se move sem chama
Nada mais é que uma maquina
Não ri, não chora e não ama
Apenas executa sua rotina

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Quem sou eu

"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria". Charles Chaplin Eu sou um ser comum. Muitas vezes bobo, muitas vezes ridículo, muitas vezes chato, algumas vezes legal, inúmeras vezes amigo e companheiro, invariavelmente sonhador, invariavelmente sofredor... mas graças a Deus em todas as vezes sou eu mesmo.