Para onde vou? Não
faço ideia
Mas lembro por onde
passei
O pouco que entendi da
vida
Resulta no que me
tornei
A estrada pode ser
estreita
Esburacada, empoeirada
ou perigosa
Mas para mim, é longa
e prazerosa
No paradoxo da confusão
perfeita
Se parto ou se fico
Faz parte do meu
conflito
Se fui e não voltei
Faz parte do que ainda
não sei
Depois daquela curva
Ajudada pela chuva
Bem pode estar a morte
Ou outro golpe de sorte
Passo o intenso caminho
Repasso meu medo
sozinho
Reparo no que não
termino
Perpetuo o que não
inicio
Sei que a estrada
termina
No caixão ou na
oficina
Uma parada antes na
cozinha
Vou “tocando em
frente” minha sina
Se acelero, o coração
tranquiliza
Se freio, no peito ele
palpita
Neste universo estranho
ainda habita
Um menino cheio de
incerteza
Junto os fragmentos
espalhados
Conserto-me por inteiro
Sem pneus sigo meus
passos
Por dentro, um eterno
caminhoneiro

Nenhum comentário:
Postar um comentário