sábado, março 11, 2006

Alpinista

Alguém já assistiu Limite Vertical... pois é, odiei aquele filme.
Mas uma cena nele me agradou... aliás, duas...
A primeira é quando o pai dos alpinistas manda cortar a corda acima dele para salvar os filhos, isso sim é uma atitude invejável.
Mas claro que isso se justifica pois era o pai deles, qual pai não faria isso?
Mas no final do filme acontece uma cena parecida onde os alpinistas estão novamente presos por uma única corda e o que está abaixo corta a mesma e cai para salvar os outros... Acho que as únicas cenas realmente boas do filme são essas.
E o que tenho eu a ver com isso? O máximo que fiz na vida foi descer alguns lugares de rapel que, convenhamos, não exige lá tanto esforço ou preparo... até um sujeito franzino como eu consegue...
Eu não quero falar sobre esportes radicais ( a menos que baralho seja um esporte radical)... quero apenas associar idéias.
Se quando um alpinista está colocando a vida dos outros em risco ele toma uma atitude de auto-sacrifício para salvar os colegas, porque na vida não fazemos o mesmo.
Será que nosso egoísmo é tamanho que não somos capazes de cortar a corda que nos prende aos outros e deixá-los seguir seu caminho sem um peso extra?
Pois bem, sinto-me uma âncora em alto mar amarrada ao pescoço daqueles que amo, acho que o melhor a fazer seria afundar sozinho. Deixar que as pessoas sigam suas vidas, seus amores verdadeiros... seria mais até que altruísmo, seria honra, pois ao menos eu deixaria de ser usado. Ou ao menos deixaria de ser tratado com piedade.
Daí vem o outro lado da história... será que somos mesmo peso morto ou somos carregados por algum outro motivo? Alguns eu sei que nunca se viram desta forma, certamente nem todas as criaturas passam pelos mesmos problemas.
Estou farto de ser usado, carregado como um saco de batatas pois alguém acha bonito dizer que me carrega, não por caridade, apenas para melhorar sua imagem com o mundo.
Pior ainda é ser feito de fantoche para satisfazer a necessidade de atenção.
Cansei do teatro, de andar de mãos dadas com aqueles que só querem que outros percebam que não estão sozinhos. Não aguento mais ser tratado como carga... Quem me dera tivesse também uma faca para cortar essa corda que me prende à mediocridade de ser uma criatura sem utilidade real para o mundo.
Se ao menos o que tenho feito estivesse surtindo efeito, mas nem isso eu sei... nem mesmo sei se alguém se importa com isso... talvez eu seja tão insignificante que não assusto, não causo medo nenhum.
Um dia a corda se rompe... assim espero.

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Quem sou eu

"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria". Charles Chaplin Eu sou um ser comum. Muitas vezes bobo, muitas vezes ridículo, muitas vezes chato, algumas vezes legal, inúmeras vezes amigo e companheiro, invariavelmente sonhador, invariavelmente sofredor... mas graças a Deus em todas as vezes sou eu mesmo.