Certamente a palavra mais dita e a menos entendida... Os Beatles citaram-na pelo menos 2 vezes em cada música, em algumas chegava a parecer um mantras... e então me pergunto, do que falam todos afinal?
Há aqueles que alegam ser o amor multifacetado e que sempre dentro dele há um pouco de outros sentimentos pois todos são trazidos de um lugar comum em nossa mente e certamente se impregnam uns dos outros... Em sua obra prima, Dante dizia que o amor é a força que move o sol e as estrelas, talvez aí um sentido gravitacional ao amor... outros houveram que definiram o amor nas mais variadas metáforas. Quem não leu o Soneto de Amor do Camões... é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente... (e por favor, isso não é letra de música do Legião Urbana, foi escrito há mais de 500 anos.). De tanto em tanto que o amor é certamente elo central de todas as civilizações conhecidas e que deixaram algum sinal sobre a terra, lê-se nos Cânticos de Salomão até o famoso Kama Sutra (que não fala apenas de sexo como se pensa)... é quase realmente força motora que não se pode afastar dos acontecimentos dos últimos 8.000 anos, se antes disso já se amava nunca saberemos, mas desde que a escrita foi inventada sempre há um espaço para uma palavra que expresse o amor...
No tempo da Renascença atribui-se a Michelangelo a frase "O amor é a asa que Deus deu ao homem para voar até Ele". Referindo-se ao Amor de Deus, o único provavelmente puro... Platão falou sobre o amor em seu diálogo "Banquete"...
no final de Ilha das Flores do Jorge Furtado o Narrador (Paulo José) solta a máxima... "Liberdade é uma palavra que não há ninguém que consiga explicar mas certamente não há ninguém que não entenda" ou algo com esse contexto... Também digo agora... Amor é uma palavra que não há ninguém que entenda e muito menos alguém que consiga explicar
Mas coube a Stendhal a frase que acho digna de nota, em seu livro "O vermelho e o negro" que ainda não pude ler na íntegra onde se mostra nossa sociedade mais temerosa do fim de suas conjecturas sociais do que qualquer catástrofe... "O amor é o milagre da civilização". Talvez acreditemos no amor por ser o mais forte pilar de sustentação de nossa sociedade, algo na verdade inexistente onde confundimos desejos e instintos animais e colocamos sobre eles diferentes cargas de doutrinas e regras, criando uma intrincada armadura que reveste sua fragilidade e nos faz confiar poderes quase sobrenaturais em sentimentos tão triviais e cotidianos como a fome ou a sede... conseguimos com esses conjuntos de regras mais ou menos castradoras que acreditássemos de tal forma nessa "força invencível do amor" que nos atiramos sem medo e sem rumo... Mas se realmente não há tal força e seja mesmo apenas um milagre da civilização aliada a toda uma tradição de contos fantásticos e histórias extraordinárias então passamos alguns milhares de anos literalmente andando sobre a água...
... como diariamente ocorre com inúmeras pessoas, cedo ou tarde nos damos conta de que foi tudo ilusão, farsa, mentira... no fim naufragamos com nosso peso, a armadura se abre e tudo não passa de algo pouco racional e sem qualquer consistência.
E o que nos faz persistir? Sofrer repetidamente e ainda ter força para voltar a acreditar em algo que nunca nos deu motivo para achar que existe? Pois o amor é mais improvável que a existência de Deus...
De alento só posso usar o exemplo dos céticos que apesar de tudo ainda vêm alguma esperança para o amor (apesar de muitas vezes sequer acreditarem em Deus)......
"A melhor cura para o amor é ainda aquele remédio eterno: amor retribuído".
Nietzsche
"Embora ninguem possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim " CHICO XAVIER
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- Bertram
- "Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria". Charles Chaplin Eu sou um ser comum. Muitas vezes bobo, muitas vezes ridículo, muitas vezes chato, algumas vezes legal, inúmeras vezes amigo e companheiro, invariavelmente sonhador, invariavelmente sofredor... mas graças a Deus em todas as vezes sou eu mesmo.
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