Se tudo correr bem... semana que vem... eu vou para Mato Grosso.
Muita gente quer ir para a praia, eu moro a poucas quadras dela e quer saber... há muito tempo não passo nem perto... só quando o avião resolve fazer a volta pelo mar.
Não é que eu não ache bonito, claro que é muito lindo... aquela imensidão de água que aos meus olhos é bem verdinha... (com muitos erres... leia-se "verrrdinha" quase que engolindo a língua...)
Mas aqui tudo é grande, tem tanta gente e eu sou só uma formiguinha no meio da multidão...
Tô com saudade da minha terra, o lugar onde eu cresci e aprendi a amar.
Tô com saudade de andar de cavalo, tomar banho de cacheira, pescar na lagoa, jogar truco e tomar tereré vendo o por do sol quando ele se afunda lá nas águas do pantanal.
Mas também to com saudade da cidade grande de lá... porquê a cidade grande de lá é muito diferente da cidade grande daqui... lá a cidade é grande mas as pessoas são maiores que a cidade... talvez por isso elas não reparem tanto nas diferenças, elas se sobrepõem a cidade, são maiores, olham por sobre os prédios e não sob eles...
Só é maior que as pessoas a terra... ah meu Deus, que terra...
Tudo é gigante para mim e ao mesmo tempo eu me sinto tão tranquilo naquela imensidão, no meio das pastagens sem fim, das boiadas, das lavouras de soja, de algodão... as vezes eu gostava de me embrenhar em algum lugar bem distante... daqueles que vc pode gritar bem alto que não tem ninguém por perto para ouvir e mesmo quando eu ia sozinho eu não sentia solidão, acho que Deus tava mais perto de mim... ou eu mais perto dele.
Eu lembro de tudo, dos amigos da cidade e nossas fogueiras regadas a pouco dinheiro, mas muita alegria.
Eu lembro que tinha amigos...
E hoje eu paro e olho o passado... eu era tão rico e não sabia.
Parece que é castigo... tanta gente que mora lá vive reclamando que quer se mudar, e eu... pobre de mim... eu que tanto amo aquele lugar... nunca consegui voltar.
E se Deus quiser eu vou pisar lá denovo, e diferente da tal rainha portuguesa que não queria levar nem o pó do Brasil... um dia eu vou voltar lá, nem que seja quando for para fazer parte daquele pó, daquela poeira vermelha do meu sertão.
Sonhos Guaranis
Mato Grosso encerra
Em sua própria terra
Sonhos guaranis
Por campos e serras
A história enterra
uma só raiz
Que aflora nas emoções
E o tempo faz cicatriz
Em mil canções
Lembrando o que não se diz
Mato Grosso espera
Esquecer quisera
O som dos fuzis
Se não fosse a guerra
quem sabe hoje era
Um outro país
Amante das tradições
De que me fiz aprendiz
Por mil paixões
Sabendo morrer feliz
Cego é o coração que trai
Aquela voz primeira
Que de dentro sai
E às vezes me deixa assim
Ao revelar que eu vim
Da fronteira
Onde o Brasil
Foi Paraguai
Almir Sater
Um comentário:
Também sinto muitas saudades do meu Mato Grosso. Acho que realmente estava mais perto de Deus lá.
Aqui, imsensidão, materialismo e pessoas perdidas em meio a uma multidão e shoppings.
Um dia eu também volto, nem que seja para tomar meu último banho de cachoeira.
Abraços Lu, e que vc consiga fazer sua visita a terrinha do calor e das amizades logo.
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