Tudo bem, eu sei que já usei essa frase um milhão de vezes... mas não canso de citá-la. Não apenas por constar na obra do meu poeta favorito, mas por ser uma sublime verdade.
Parece que no coração humano há um instinto que o leva à dor como o corvo ao cadáver
E nessa busca inconsciente todos vamos causando dores as mais profundas possíveis até que um dia não resta nada senão um amontoado de células caminhando sobre a terra... e a alma, se existiu um dia, morreu entre as punhaladas desta vida.
Quando criança sempre tinha pena dos bois que iam ao matadouro, mas nunca deixei de saborear uma boa picanha. Intrigava-me o porquê daquele fim hediondo ao qual o pobre bicho se entregava com profunda resignação. Pois se um único dia todos eles se revoltassem não existiria um único bife no açougue.
E vamos nós, parafraseando a vida de gado do Zé ramalho... marcados para morrer, e não digo a morte física que é inevitável. Sinto pela morte da alma humana a qual nos entregamos também sem qualquer hesitação como que para alimentar alguma criatura que vive de nosso sofrimento.
Quando morta à alma o corpo ainda respira e aspira pela morte física.
E enquanto resta ainda uma única centelha, uma única faísca dessa alma em nosso coração, permanece este instinto cruel que nos faz buscar a dor, a próxima punhalada para sofrer ainda mais, agonizar até o fim quando seremos parte da massa mecanizada que move este orbe.
Mas ao bovino resta o alento da irracionalidade, se é que podemos dizer que buscar o sofrimento seja racional... e não estou me referindo a qualquer masoquismo... estou me referindo à busca insensata pela dor... não a dor física e sim a dor moral, a dor do sentimento, aquela dor no peito mais forte que um infarto que só conhecem os que choraram pela perda do amor, dos amigos, dos parentes amados...
Esse sim é o contrainstinto, se é que tal palavra possa existir, porque ele é contrário ao instinto de auto-preservação. Queremos sempre nos manter vivos como máquinas que querem continuar funcionando, mas queremos estar mortos como humanos.
Um dia, nada mais sentimos, e esta vida nos pode ser arrancada sem nenhum remorso, nenhuma lágrima, nenhuma dor.
Viver eternamente buscando a última rasteira... isso pode não ser ideal, mas é o que significa ser normal.
Também eu vou buscando essa dor, essa punhalada, olhando à frente a marreta e a faca. Diante dos meus olhos meu algoz e ainda assim só consigo ter por ele (ou ela). Um profundo carinho e um amor sem limites.
"Embora ninguem possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim " CHICO XAVIER
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Quem sou eu
- Bertram
- "Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria". Charles Chaplin Eu sou um ser comum. Muitas vezes bobo, muitas vezes ridículo, muitas vezes chato, algumas vezes legal, inúmeras vezes amigo e companheiro, invariavelmente sonhador, invariavelmente sofredor... mas graças a Deus em todas as vezes sou eu mesmo.
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