terça-feira, setembro 20, 2005

Neruda

Soneto XVII

Eu não a amo como se você fosse um botão de rosa, ou um topázio,
ou a flecha do cupido que o fogo dispara fora.
Eu te amo porque determinadas coisas obscuras devem ser amadas,
em segredo, entre a sombra e a alma.

Eu te amo como a planta que nunca floresce mas carrega dentro dela a luz de flores escondidas;
agradeço o seu amor continuo pelas fragrâncias,
levantadas da terra, vivem escuras em meu corpo.

Eu te amo sem saber como, ou quando, ou de onde.
Eu te amo fortemente, sem complexidades ou orgulho;
assim eu te amo porque eu não sei nenhuma outro maneira.

É isto: onde eu não exista, nem você,
tão próximos que sua mão em meu peito é minha mão,
tão próximos que quando fecha seus olhos eu caio adormecido.
Pablo Neruda

Um comentário:

Anônimo disse...

Gostei deste seu post. E no geral o seu blog está rico. Gostei das leituras que fiz por aqui. Beijinhos.


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Quem sou eu

"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria". Charles Chaplin Eu sou um ser comum. Muitas vezes bobo, muitas vezes ridículo, muitas vezes chato, algumas vezes legal, inúmeras vezes amigo e companheiro, invariavelmente sonhador, invariavelmente sofredor... mas graças a Deus em todas as vezes sou eu mesmo.