quinta-feira, agosto 25, 2005

Certas coisas.

Num dia comum tanta coisa pode acontecer na nossa vida que chega a parecer piada... Você pode estar alí cansado de tudo, fazendo seu trabalho como louco, como se tudo que existisse entre o céu e a terra não fosse filosofia e sim seu trabalho... e você fica assim porque já ligou o piloto automático, já desistiu de procurar algo que te renove, que te motive... assim vivo eu contando os minutos ao contrário como se o tempo indo para frente pudesse me trazer de volta coisas que perdi há tanto tempo.
Pela porta entram e saem tantos, não me lembro o nome, nem me lembro por que estiveram ali pois nem mesmo me lembro por que eu estou ali...
Mais dia, menos dia o improvável pode acontecer... pode entrar alguém pela porta que entra para sua vida, para seus pensamentos e simplesmente não aceita ser dispensada... não aceita ir embora, ao menos não da sua memória...
Antiético? só se você manifestar essa emoção de alguma forma... acho que não fiz isso...
Mas como que movida por uma força que sempre quer te apunhalar essa criatura aparece do nada num local que você não espera... manda uma mensagem daquelas bem fáticas como quem fala sobre o som da chuva no telhado... seria um chamado do destino?
Ah, até mesmo o ser mais racional do planeta certamente teria lampejos de delírio...
Então está alí... aquela pessoa que vc custou a esquecer de repente, ainda que virtualmente aparece... como deixar de tentar? ainda que todos os indícios digam contra... triste daquele que não tenta... mas triste também o que tenta e conquista o insucesso.
Mais uma lição? talvez... nem mesmo dentro de uma redoma se está livre de delírios e sonhos...
Nem mesmo protegido pelo trabalho estamos livre da paixão, ainda que à primeira vista.
Como diria Alvares de Azevedo "
Parece que no coração humano há um instinto que o leva à dor como o corvo ao cadáver."
No mais... vou vivendo.


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.

E por isso porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Fernando Pessoa

Um comentário:

Anônimo disse...

vixe....
vamos administrar isso aí hein... rs


beijos gatinho
até


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Quem sou eu

"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria". Charles Chaplin Eu sou um ser comum. Muitas vezes bobo, muitas vezes ridículo, muitas vezes chato, algumas vezes legal, inúmeras vezes amigo e companheiro, invariavelmente sonhador, invariavelmente sofredor... mas graças a Deus em todas as vezes sou eu mesmo.