quarta-feira, agosto 25, 2004

Que fique bem claro...

Já que ninguém lê esse negócio mesmo... que fique bem claro uma coisa, ao menos para mim mesmo...
... basta de tudo... basta dos apelos emocionais, das chantagens, das cobranças... não me lembro de qualquer momento em minha vida que alguém tenha me oferecido algo só para mim, de um gesto de carinho que fosse exclusivo para minha pessoa, de um sacrifício feito em meu nome.
Não, sempre as coisas voaram pelo sentido inverso... sempre foi perguntado o que mais podia eu oferecer, o quanto mais eu poderia resistir, o quanto mais eu poderia trabalhar, me abdicar, tolerar, doar de mim, criar para os outros, ocultar de terceiros... e sempre e sempre... sempre algo que eu precisava opor aos meus próprios desejos para satisfazer ao próximo... e tudo isso não por um sentimento autruísta (quem me dera eu tivesse tais sentimentos tão nobres)... a força motriz sempre foi outra... tentei compensar a completa indiferença que todos os outros seres deste planeta sentem por mim, literalmente... ser aceito, sentir que existo... não houve jamais alguém que me fizesse um favor expontâneo, que me desse um carinho verdadeiro e desinteressado, que me fizesse um elogio sincero, que derramasse uma gota de suor, sangue ou lágrimas apenas pelo desejo sincero de me ver feliz (exceto talvez meu querido Pai)...
O motivo de tudo isso não é apenas o de não ser eu nada mais que um ser medíocre entre uma multidão de medíocres que vivem num mundo de semi-deuses... as vezes me sinto como Fernando Pessoa no Poema Linha Reta... sempre fui o meio termo... nem tão magro, nem tão baixo, nem tão chato, nem tão burro... nunca o mais... nem na incompetência nunca fui o mais...
... mas o grande causador de toda essa indiferença não é meu cabedal de defeitos. O fato de eu ter sido estepe em toda a minha vida, ser o reserva em todo o campeonato da existência reside num fato ainda mais profundo, e este fato pode resistir em outro que ainda nem eu posso sentir... o fato de que eu rejeito a mim mesmo muito antes até de qualquer outro ser me rejeitar.
Mas agora basta... não quero mais as migalhas, esmolas, sobras, restos, dejetos ou rejeitos da humanidade... agora quero apenas o que for únicamente meu assim como se fosse o único ser da criação... quero só o que for exclusivamente meu, de alma e coração... se nada houver de meu nesse universo... é justamente com este nada que desejo passar os dias restantes da minha vida.

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Quem sou eu

"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria". Charles Chaplin Eu sou um ser comum. Muitas vezes bobo, muitas vezes ridículo, muitas vezes chato, algumas vezes legal, inúmeras vezes amigo e companheiro, invariavelmente sonhador, invariavelmente sofredor... mas graças a Deus em todas as vezes sou eu mesmo.