segunda-feira, junho 28, 2004

Câncer

Sempre me sinto culpado por todos os males do mundo, acho realmente que se eu morresse hoje amanhã o mundo seria um lugar melhor para se viver... sei que carrego uma grande energia negativa, uma espécie de Midas ao inverso... acho que tudo que toco sai mal feito. Mas muitas vezes olho para os outros seres que habitam esse planeta e vejo na maioria das vezes um sofrimento maior ainda que o meu. Na verdade não sou eu que sofro muito, na verdade não tenho forças o bastante para resistir ao sofrimento...
... e vejo tantas pessoas maltrapílhas, esfomeadas, cansadas, desnutridas, desletradas, sem receber carinho, sem vida no olhar... além de tantas outras que minha profissão me faz ver sem saúde, sem esperança, feridas, aleijadas, muitas vezes com poucos dias de vida e tantas outras definhando com um câncer que vai lhes corroendo o organismo como um parasita maldito.
E de onde vem então esta minha tristeza? Eu certamente deveria ser imensamente grato ao criador por não ter nenhum desses males. Por não me faltar comida, roupa, calor, água, energia, força física... por não ter nenhum membro defeituoso e por mais que não seja um Apolo em beleza não sou um decrépito assustador, por mais que eu precise de um par de óculos ou de uma escada para alcançar qualquer coisa que certamente seria fácil para homens com uma boa altura também não sofro de acondroplasia e meus membros sustentam facilmente o peso do meu corpo com sobra...
... Mas ainda assim sinto-me o ser mais degenerado da natureza, sofro uma dor análoga a de um infarto, me desdobro e me contorso como um epilético, me escondo como um leproso, me odeio como se fosse um monstro...
... onde meu Deus estaria o motivo de tal sentimento?
Acho que escondo por entre a pele algo que a medicina nem sonha existir, sou um ser que tem câncer, e não um câncer no corpo físico, o meu é o mais incurável de todos pois tenho um câncer na minha Alma.

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Quem sou eu

"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria". Charles Chaplin Eu sou um ser comum. Muitas vezes bobo, muitas vezes ridículo, muitas vezes chato, algumas vezes legal, inúmeras vezes amigo e companheiro, invariavelmente sonhador, invariavelmente sofredor... mas graças a Deus em todas as vezes sou eu mesmo.